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The Global Credit

Rotativo do cartão de crédito: como funciona o juro mais caro do Brasil

Entenda o que é o crédito rotativo, por que os juros passam de 400% ao ano no Brasil, o que mudou com a regra do Banco Central e como sair dessa dívida.

Mauricio Nunes dos ReisMauricio Nunes dos ReisFounder & Editor
2 min de leitura

Pagar menos que o total da fatura parece um alívio. Na prática, é a decisão financeira mais cara disponível no Brasil: o valor que fica para o mês seguinte entra no crédito rotativo, um empréstimo automático com juros que historicamente passam de 400% ao ano.

Como o rotativo funciona

Toda fatura tem duas opções de pagamento: o valor total ou qualquer valor entre o mínimo e o total. Se você paga menos que o total:

  1. A diferença vira um empréstimo do banco — sem contrato novo, sem análise, automático.
  2. Os juros começam a correr no dia seguinte ao vencimento, calculados sobre cada dia de atraso.
  3. Enquanto houver saldo no rotativo, novas compras também perdem o período sem juros — a conta cresce por dois lados.

Um exemplo com números de 2026: fatura de R$ 3.000, pagamento de R$ 1.000. Os R$ 2.000 restantes a uma taxa de 15% ao mês viram R$ 2.300 em 30 dias. Em seis meses sem pagamento adicional, a dívida ultrapassaria R$ 4.600 — e é por isso que a regra atual impõe um teto.

O teto do Banco Central

Desde a regulamentação de 2024, o total de encargos (juros, multa e tarifas) do rotativo não pode ultrapassar 100% do valor original da dívida. Uma fatura de R$ 3.000 pode virar no máximo R$ 6.000, não importa quanto tempo passe.

O teto evitou o cenário de dívidas decuplicando — mas dobrar uma dívida continua sendo um desastre. O teto é um freio, não uma solução.

Como sair, na ordem certa

  1. Pare de usar o cartão que está no rotativo. Cada nova compra aumenta a base dos juros.
  2. Troque a dívida. Consignado, empréstimo pessoal ou o parcelamento de fatura do próprio banco custam uma fração do rotativo. Compare sempre o CET (custo efetivo total), não só a taxa de juros.
  3. Quite o principal com agressividade. Juros compostos trabalham contra você todo dia; cada real pago antes economiza vários depois.

Se você está escolhendo um cartão agora, priorize pagar a fatura integral — e veja nossos cartões sem anuidade recomendados para nunca pagar para ter crédito.

Perguntas frequentes

O que é o rotativo do cartão de crédito?

É o crédito automático que o banco empresta quando você paga menos que o valor total da fatura. A diferença não paga vira um empréstimo com juros cobrados por dia — no Brasil, as taxas médias estão entre as mais altas do mundo, frequentemente acima de 400% ao ano.

Pagar o mínimo da fatura é uma boa saída?

Não. Pagar o mínimo é justamente o que dispara o rotativo: o restante da fatura vira dívida com juros compostos diários. Pagar o mínimo por alguns meses pode dobrar a dívida original.

O que mudou com a regra do Banco Central sobre o rotativo?

Desde 2024, há um teto para o crescimento da dívida do rotativo: os encargos totais não podem ultrapassar o valor original da dívida. Ou seja, uma fatura de R$ 1.000 no rotativo pode virar no máximo R$ 2.000, incluindo juros, multa e tarifas. Mesmo assim, continua sendo uma das dívidas mais caras que existem.

Como sair do rotativo pagando menos juros?

Troque a dívida cara por uma barata: crédito consignado (se disponível), empréstimo pessoal com CET menor ou o próprio parcelamento da fatura oferecido pelo banco costumam ter juros bem menores que o rotativo. Depois, ataque o principal com qualquer renda extra.

Atualizado 26 de julho de 2026.

Fontes primárias

As taxas, regras e cifras deste artigo provêm das fontes primárias abaixo. Atualizamos as páginas de dinheiro trimestralmente — confirme sempre os termos vigentes com o emissor ou regulador antes de agir.


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Este artigo é apenas informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Faça sua própria pesquisa.

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